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MISSÃO FRANÇA – ÉGLISE SAINT JEAN BAPTISTE DE GRENELLE E BASILIQUE DE SAINT-DENIS

L'Église St. Jean Baptiste e Basilique St. Denis

L’Église Saint-Jean Baptiste de Grenelle e La Basilique Saint-Denis são templos interessantes e cada um tem sua caracteristica arquitetônica e histórica diferenciada. A primeira delas é que St Jean Baptiste pode ser considerado “novo” e o outro templo bem antigo. A Dança na Mochila aconteceu nestes dois lugares na mesma semana.

A Igreja Saint-Jean Baptiste de Grenelle foi construída em 1828 no coração de Grenelle no 15 º arrondissement, bem no miolo de Paris. A “primeira pedra” de fundação é colocada em 1827 por Louise Marie Thérèse d’Artois neta do rei Carlos X. Originalmente composto por uma só nave, era pequena e muito simples. Posteriormente duas capelas foram construídas respectivamente em 1872 e 1886. Foi ampliada 1924-1926 para acomodar mais fiéis, com corredores, um transepto e um novo coro para permitir a construção de uma capela abaixo, a atual capela Saint-Etienne. Mesmo com as ampliações o templo conservou sua simplicidade.

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A Basílica de St Denis, por outro lado, é um marco arquitetônico projetado e construído em estilo gótico. A igreja é um enorme edifício cruciforme que conservou lindos vitrais de vários períodos. O contexto e percurso histórico da Catedral é muito significativo para a França. Saint-Denis foi um mártir e santo padroeiro da França que de acordo com a lenda, foi o primeiro bispo de Paris. Um santuário foi erguido no seu sepulcro. Lá, Dagoberto I, rei dos Francos (628-637) fundou o local como um mosteiro beneditino. Foi na Idade Média, a mais poderosa Abadia onde a maioria dos reis e rainhas da França foram enterrados a partir do Século VI.

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As efígies de muitos dos reis e rainhas estavam em seus próprios túmulos, mas durante a Revolução Francesa iniciada em 1789, estes foram abertos sob ordens de oficiais revolucionários. Os corpos foram removidos e despejados em dois grandes fossos próximos e dissolvidos com cal. O arqueologista Alexander Lenoir salvou muitos dos monumentos dos mesmos oficiais revolucionários reivindicando-os como obras de arte para o Musée National des Monuments Français.

Os corpos dos decapitados rei Luís XVI e Maria Antonieta não foram inicialmente sepultados em Saint-Denis, mas sim no adro (área externa) da Igreja de Madeleine em Paris onde foram cobertos com cal virgem. O corpo do Luís XVII, filho de 10 anos do rei Luís XVI e Maria Antonieta foi enterrado numa cova anônima num adro parisiense perto da Torre do Templo, na época feita pelos revolucionários a prisão da familia real francesa e 25 anos depois, seus restos mortais foram depositados em Saint Denis.

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Louis XVI e Maria Antoineta

Napoleão Bonaparte reabriu a igreja em 1806, mas foi durante seu exílio em Elba que os Bourbons ordenaram uma busca pelos cadáveres de Luís XVI e Maria Antonieta. Os poucos restos encontrados, alguns ossos que presumivelmente eram do rei e um amontoado de matéria cinzenta contendo uma cinta-liga, em 21 de janeiro de 1815, foram levados a Saint-Denis e sepultados. Em 1817 as valas comuns contendo todos os outros restos mortais dos monarcas foram abertas, mas foi impossível distinguir qualquer um da coleção de ossos. Os restos foram depositados em um ossário na cripta da igreja, atrás de duas placas de mármore com os nomes de centenas de membros das sucessivas dinastias francesas que foram enterrados na igreja devidamente registrados. O Rei Luís XVIII após sua morte em 1824, foi sepultado no centro da cripta, próximo aos túmulos de Luís XVI e Maria Antonieta. Os caixões dos membros da família real que morreram de 1815 a 1830 também foram colocados nos jazigos.

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Porque a Dança na Mochila nestes locais? Como explicar o “comichão”, o impulso para a dança! Em minhas andanças tenho sido impactada em muitos lugares, por minhas impressões e pelas marcas históricas que estes lugares trazem. Na maioria das vezes ao pesquisar a história e contexto do lugar e ver a filmagem da dança fico mais impactada ainda! Tudo vem á tona: a maneira como esses lugares surgiram no meu percurso, o impulso para a dança e como dancei.

A Igrejinha Saint Jean Baptiste de Grenelle, por exemplo, fica nas imediações de onde moro e de onde minhas filhas pequenas estudam. Todos as manhãs após deichá-las na escola ao passar pela porta do templo o sino batia. Fui me sentindo atraída pelo sino e pela simplicidade arquitetônica em oposição à tanta opulência da maioria dos templos em Paris. Um dia eu entrei  e naquele ambiente onde meus olhos foram se acostumando aos poucos com a pouca luz, deparei com uma pintura próxima ao teto no fundo do Templo.

Era um Agnus Dei, uma expressão em latin utilizada no cristianismo para se referir a Jesus Cristo como o Cordeiro de Deus, identificado como o salvador da humanidade ao ter sido sacrificado em resgate pelo pecado e pela morte para gerar nova vida em todos que nele crerem. É na simbologia icónica cristã frequentemente representado por um cordeiro com uma cruz e com o vermelho do sangue derramado. A expressão aparece no Novo Testamento, principalmente no Evangelo de João em que João Batista diz a respeito de Jesus: “Eis o Cordeiro de Deus, Aquele que tira o pecado do mundo” (João, 1:29).

Agnus Dei

Fiquei sentada ali observando a mesma simplicidade no interior da igreja e ao mesmo tempo a beleza artística e envolvente da pintura que reinava dominando todo o espaço colocando o tempo em suspenso. Eu não estava com o meu tecido vermelho naquele dia, mas o “impulso” para a dança me fez retornar algumas semanas depois com o tecido. Ao entrar novamente naquele local foi inevitável. Me dirigi para o fundo da Igreja, a dança “brotou” e foi sobrenatural! Minha sensação era como se o sangue derramado na cruz se desprendesse do tecido encharcando a mim e tudo em volta!

A Basílica de St-Denis era um lugar que eu queria muito conhecer. Sempre que eu ia à Universidade na Paris VIII eu passava dentro do Metrô pela estação da Catedral e pensava: um dia desses depois da aula vou dar uma esticada ali! Mas não foi assim.

O lugar é praticamente no subúrbio de Paris e naquela semana com minha mãe e minha filha Iana fomos especificamente para conhecer a Basílica que se confirmou como enorme e muito imponente. Estava chovendo e fazia muito frio o que contribuiu para aumentar  a impressão lúgrube e fria de um cemitério embora a claridade passasse pelos vitrais coloridos e maravilhosos. As éfiges e monumentos dos reis e rainhas no seu interior são perfeitos e bem detalhados, são obras de arte que nos contam tantas historias e nos faz perguntar e imaginar como era a vida de cada uma daquelas pessoas representadas ali.

Próximo à tumba representativa de Luiz XVI e Maria Antonieta ao passar pelas escadas que descem para um nível abaixo de onde estávamos, senti o impulso para a dança.

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Pensei se realmente tinha a ver eu dançar naquele lugar… Hesitei por alguns minutos, mas o impluso só aumentava sinalisado pela taquicardia progressiva no meu peito. Depositei minha mochila no chão, tirei o tecido vermelho e dancei voltando e subindo as escadas. Me lembrei da sensação que senti na Igreja de Sao João Batista, mas como se fosse uma continuidade: O sangue derramado para que haja vida, o sangue que gera vida onde há a morte. Me lembrei do livro de Ezequiel no capitulo 37 entre os versículos 1 e 4 na Bíblia:

“Veio sobre mim a mão do Senhor;  ele me levou pelo Espírito, e me pôs no meio de um vale que estava cheio de ossos, e me fez andar ao redor deles; eram mui numerosos na superfície do vale, e estavam sequíssimos. E me disse: Filho do homem, porventura viverão estes ossos? E eu disse: Senhor Deus, tu o sabes. Disse-me ele: Profetiza sobre estes ossos, e dize-lhes: Ossos secos, ouvi a palavra do Senhor “.

Pois é, quantas emoções!

Haja coração!!!

Nas duas ocasiões, quem filmou foi minha filha Iana Coimbra. A trilha sonora em St. Jean Baptiste é são os ruídos do tecido vermelho, buzinas e carros na rua. Em St. Deni os pequenos ruídos das pessoas no local não incomodam o silêncio sepulcral

Em andanças…

Isabel Coimbra

 

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